Para pessoas que acreditam em fenómenos sobrenaturais, poderia ser uma coincidência pouco casual. Na mesma altura em que o professor Joaquim Fernandes, da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, terminava um livro sobre ocasiões da história portuguesa em que as populações acreditaram que o fim do mundo estava próximo, começou uma pandemia à escala planetária. "Apocalipses", agora publicado na editora Contraponto, fala de pestes, de eclipses, de terramotos, da auroras boreais (uma delas, muito impactante, em 1938), do cometa Halley (com uma cauda cujos gases iam asfixiar o mundo), mas também de Fátima, de OVNI, de extraterrestres e, claro, de marcianos, com pelo menos dois remakes da lendária emissão radiofónica de Orson Welles. Na base dos nossos alarmes, ou melhor, na interpretação que fazemos deles, está o fundo religioso do país. Assim explica o Joaquim Fernandes, um historiador que se especializou em temas "à margem", de antropologia religiosa.
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