Reportagem nos cuidados intensivos do S. João, entre as linhas que separam a vida da morte
28.03.2020 às 8h40
Coronavírus. A derradeira batalha de alguns dos doentes infetados com covid-19 trava-se na unidade de cuidados intensivos, no piso 6 do Hospital de São João. Um espaço adaptado à dimensão da pandemia que paralisou o mundo
PERIGO Para muitos doentes, é no serviço de medicina intensiva do Hospital de São João que se trava a derradeira batalha contra o coronavírus. Os pacientes ficam de barriga para baixo durante a maior parte do tempo, de modo a facilitar a respiração (ventilação em decúbito ventral)
Estão despidos, com os olhos fechados, e cercados por médicos e enfermeiros a quem só é possível ver os olhos. O espaço é aberto e os doentes estão dispostos em semicírculo com os ventiladores virados para uma pequena ilha, a base de operações. No Piso 6 do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), no Porto, nesta sala de cuidados intensivos dez doentes infetados com o vírus Sars-Cov2 lutam pela vida à beira do precipício, seguros apenas pelas máquinas que respiram por eles. Oito homens, duas mulheres. Os mais velhos são septuagenários. A mais nova tem 47 anos. “Esta doença não é só de velhinhos”, diz o médico Sérgio Gaião.
Há cinco minutos que o médico está a tentar passar por cima das duas linhas pintadas no chão — a verde e a amarela — e agora prepara-se para o movimento final. Atravessar a porta da sala de internamento é um processo delicado em que, por segundos, terá um pé em cada lado. Quando o esquerdo pisar a zona segura, ainda que não de absoluta segurança, o direito ficará ainda mais um pouco no lado de maior risco. Onde estão os doentes. Não é uma fronteira entre a vida e a morte. É muito mais do que isso. A geografia de um vírus pode ser tão improvável como o mapa que a revela. “Temos de ter o máximo cuidado, saber exatamente o que estamos a fazer e como fazê-lo a cada momento”, explica a enfermeira-chefe, Patrícia Cardoso, uma das dezenas de profissionais que vivem todos os dias à beira das duas linhas. “Depois, há sempre pequenas coisas que vamos corrigindo...”
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