Maioria dos condutores considera negativa a sinalização nas estradas nacionais e municipais
15.01.2020 às 17h22
Os condutores portugueses chumbam a qualidade e a quantidade das marcas rodoviárias e da sinalização vertical em vias municipais e nacionais, entre outros aspetos da segurança, conclui o mais recente estudo sobre a maturidade da sinalização nas estradas
A qualidade e a quantidade da sinalização rodoviária nas estradas nacionais e municipais deixa muito a desejar (bastante mais positiva é a avaliação nas autoestradas), segundo os resultados de um inquérito divulgado nesta quarta-feira em Lisboa. O questionário à população, no qual se mediu a “perceção” dos inquiridos, foi elaborado pela consultora PricewaterhouseCoopers (PwC), para a Associação Portuguesa de Sinalização e Segurança Rodoviária (AFESP).
O inquérito aquilatou a opinião de um total de 1001 cidadãos portugueses. Todos inquiridos na condição de peões, sendo que 844 o foram também enquanto condutores de veículos automóveis ou motociclos.
O questionário avaliou o estado das marcas rodoviárias e das sinalizações vertical, temporária e luminosa, tanto em estradas nacionais e municipais como nas autoestradas. Nas marcas rodoviárias - as pinturas no chão que se destinam a regular a circulação e a orientar os utentes das estradas nacionais (EN) e estradas municipais (EM) - regista-se a maior concentração de perceções negativas, subscritas por dois terços dos condutores inquiridos.
No respeitante às EN, 69% das pessoas auscultadas têm uma má opinião sobre a quantidade e a qualidade da marcas rodoviárias (as suas respostas variaram entre “não existe sinalização”; ela é “existente” mas “não é suficiente”; e sinalização “suficiente” mas “desadequada”). Já sobre as EM, a resposta negativa foi dada por 64% dos inquiridos.
Igualmente negativas, embora com valores ligeiramente inferiores, são as opiniões sobre o estado da sinalização vertical. Nas EN, o retrato pintado a negro é traçado por 57% dos inquiridos; nas EN, o resultado é de 56%.
Ainda em relação às marcas rodoviárias e à sinalização vertical, bem diferente é o panorama nas autoestradas, onde a opinião dos portugueses é amplamente favorável. No caso das marcas rodoviárias, a perceção sobre a sua qualidade e quantidade é positiva (variando entre o “suficiente e adequada” e o “excelente”) para 81% dos inquiridos. Ou seja, quatro em cada cinco pessoas. Já sobre a sinalização vertical, o valor é ainda superior: 83%.
Na perceção da sinalização temporária, os condutores assumem o mesmo sentido de resposta: avaliação negativa das EN e EM (63% e 64%, respetivamente); e bastante positiva nas AE (74%).
Já sobre a sinalização luminosa, há um desvio face ao padrão anterior. A perceção sobre as EM mantém-se negativa (58%), é um facto, mas as EN passam para o campo das autoestradas, ambas com amplas avaliações positivas (e com idêntico valor, 76%).
Passadeiras de risco
No questionário, os participantes foram igualmente interrogados sobre o que sentem ao atravessar uma passadeira numa estrada nacional.
O mínimo que pode dizer-se, com base nas respostas, é que muitos portugueses pisam o chão com bastante receio. Com efeito, metade dos inquiridos disse sentir-se inseguro ou totalmente inseguro ao atravessar uma passadeira à noite numa EN, valor que desce para metade quando o atravessamento é feito de dia.
Tal “disparidade”, no entender do estudo sobre a maturidade da sinalização rodoviária em Portugal apresentado agora em Lisboa, “alerta para o facto de a conservação da sinalização ser essencial na promoção da segurança rodoviária, sobretudo sob condições de visibilidade reduzida” (como a existente durante a noite).