Para os enfermeiros que recebem doentes nos cuidados intensivos, as tragédias sentem-se por antecipação. Quando as notícias chegam com os dez mil, 12 mil, 14 mil casos diários, a cabeça de Diana Cipriano dá um salto para um futuro que continua caótico. “Dá-me assim uma angústia. Eu vejo os números e penso, porra, pessoas vão-me chegar aqui daqui a semana e eu não sei onde as vou pôr. E depois mais dez mil, e depois mais dez mil”. A ala está quase cheia e não vai esvaziar com a rapidez necessária para receber mais gente. “O que é que eu faço? É que estes que tenho aqui ainda não estão bem”, diz Diana, como se tivesse acabado de chegar à sua ala nos cuidados intensivos.
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