Presidenciais 2021

“Era cansativo, mas naquela altura o mundo ainda não tinha caído”: o voto de uma enfermeira antes de mais um turno nos cuidados intensivos

24 Janeiro 2021 17:34

Ana França

Ana França

Jornalista

Diana Nogueira Cipriano, enfermeira nos cuidados intensivos do Beatriz Ângelo diz que tem medo de não voltar a poder ver os doentes sem máscara

ana frança/expresso

Diana Cipriano tem 12 anos de serviço de enfermagem em alas de cuidados intensivos, nunca fez outra coisa mas também nunca viu nada assim. "São avalanches de pessoas, são mesmo avalanches de pessoas". Quando está a entubar doentes e eles lhe pedem que prometa que vão acordar, ela faz isso mesmo, sem saber se mente. Diz não saber os problemas políticos que é preciso resolver para novas soluções se concretizem mas deixa uma ideia ao ministério da Saúde

24 Janeiro 2021 17:34

Ana França

Ana França

Jornalista

Para os enfermeiros que recebem doentes nos cuidados intensivos, as tragédias sentem-se por antecipação. Quando as notícias chegam com os dez mil, 12 mil, 14 mil casos diários, a cabeça de Diana Cipriano dá um salto para um futuro que continua caótico. “Dá-me assim uma angústia. Eu vejo os números e penso, porra, pessoas vão-me chegar aqui daqui a semana e eu não sei onde as vou pôr. E depois mais dez mil, e depois mais dez mil”. A ala está quase cheia e não vai esvaziar com a rapidez necessária para receber mais gente. “O que é que eu faço? É que estes que tenho aqui ainda não estão bem”, diz Diana, como se tivesse acabado de chegar à sua ala nos cuidados intensivos.