Com o ministro da Administração Interna debaixo de fogo, e com o problema da requisição civil ao Zmar por resolver, o primeiro-ministro fez uma mudança de última hora à agenda de trabalho prevista para esta terça-feira e vai a Odemira às 17h30. O objetivo é estar presente numa "reunião de trabalho e assinatura de protocolos tendo em vista dar resposta às necessidades habitacionais verificadas no concelho", lê-se na nota de atualização de agenda enviada à comunicação social.
Uma corrida atrás do prejuízo depois do braço de ferro instalado entre o Governo - que decretou cerca sanitária no concelho e avançou com uma requisição civil ao complexo turístico do Zmar para dar garantias de isolamento profilático aos migrantes que que não têm condições de habitabilidade - e os proprietários de casas inseridas naquele complexo que apontam o dedo ao Governo por ter agido de "má fé". Na sombra do braço de ferro estão as más condições de vida e de trabalhos dos imigrantes naquele concelho, uma situação que, à boleia da crise sanitária, tem feito soar campainhas de alarme.
A última veio do Presidente da República. A partir de Caminha, no Minho, onde está para a primeira presidência aberta do segundo mandato, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou esta terça-feira que é preciso retirar "muitas consequências políticas" do caso dos imigrantes de Odemira.
"Em relação a Odemira, acho que tem de retirar muitas consequências políticas. Tem de se fiscalizar para saber como é por respeito à legalidade, tem de se apurar se há ou não uma situação que convida àquilo que são atuações criminais, tem de se pensar a sério no problema dos imigrantes que estão cá dentro, que trabalham", disse.
Para Marcelo, "fala-se de inclusão mas a inclusão é muito relativa". E o problema é bem maior do que o problema sanitário: "Isto não pode depender de haver problemas de saúde que chamam à atenção para o facto". Certo é que as autoridades já identificaram mais de 100 alojamentos para trabalhadores agrícolas no concelho de Odemira onde vivem mais de 300 pessoas em situação de sobrelotação ou insalubridade, segundo revelou o presidente da câmara.
António Costa vai assim de urgência a Odemira naquela que é a primeira ida do primeiro-ministro ao concelho depois de rebentar a polémica. Adiado, para já, fica o evento de apresentação do Plano de Investimentos do PRR previsto para esta terça-feira às 15h30.