Um dia destes, a ver um documentário sobre a Rota da Seda, um historiador defendia que este caminho terrestre de mais de seis mil quilómetros de mercadores que uniu a China ao Mediterrâneo se devia chamar a Rota do Papel. E explicava que sim senhor, do Oriente tinha vindo aquele estupendo e resistente tecido, mas o grande impacto civilizacional tinha-se dado com a chegada do papel, usado na China pelo menos desde o século I a.C. como embrulho, como papel higiénico e finalmente como suporte de escrita. Aqui à Ibéria chegou com uma passagem pelos árabes, como quase todas as inovações. Quando o papel se banalizou na Itália permitiu que artistas tivessem um meio para fazer esboços e rascunhos de pinturas e esculturas. Serviu também como suporte para bíblias traduzidas que a prensa de Gutenberg multiplicou e foi a base da reforma protestante. Interessante. Mas voltemos atrás. Foi portanto através da Rota da Seda, de onde chegaram as pestes à Europa, que vieram uns “limpa rabos”— mas na forma de paus de bambu com tecido na ponta. Se já houvesse Facebook no final da Idade Média diriam que cheirava a conspiração: enviar uma doença fatal para criar uma necessidade de limpar o traseiro. Chineses e tal...
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