Opinião

Idriss Déby

30 Abril 2021 9:03

1952-2021 Chegou ao poder no Chade em 1990, ao depor pela força o presidente Habré. Agora, 31 anos depois, foi morto em combate, de armas na mão

30 Abril 2021 9:03

Não é todos os dias que um Presidente morre em combate, de armas na mão, mas talvez o falecimento de Idriss Déby Itno, baleado no passado dia 20 de Abril na aldeia de Mele, perto de Nokou, norte do Chade, faça jus ao ditado “quem com ferros mata…”, pois ele alcançou o poder, em Dezembro de 1990, ao depor pela força o então Presidente Hissène Habré, o qual, por sua vez, também tomou a chefia do Estado após uma sangrenta guerra, que nos anos 80 deixou o país sem governo durante largas semanas, mergulhado no caos. Filho de pastores, formado em França (e doutorado em Ciências Políticas por Paris II), Habré chegara à presidência com apoio gaulês e norte-americano, inaugurando, em 1982, um regime de partido único e terror. Deposto em 1990 por Idriss Déby, Habré fugiu do país com 11 milhões de dólares do erário público, mas acabou detido e julgado no Senegal, sendo o primeiro chefe de Estado do mundo a ser condenado pelo tribunal de outro país por ofensa aos direitos humanos: prisão perpétua por 40 mil mortes, 200 mil torturados, além de crimes de violação e escravatura sexual.