David Dinis Director-adjunto

O novo 'paraministro' de António Costa

30 de maio de 2020

Bom dia! Hoje começo com algo inteiramente novo. Vamos a isto?

António Costa convidou um independente para negociar um plano de retoma da economia. É gestor (na verdade CEO da petrolífera Partex), está a negociar com ministros e vai falar com partidos e parceiros, em nome do primeiro-ministro, mesmo não sendo membro do Governo. O objetivo: reconstruir a economia, criando a base para o Orçamento de 2021, que Mário Centeno já não o fará, porque sairá em julho. Para já, o nome a memorizar é este: António Costa Silva, um homem que já fez críticas duras ao Governo, mas que agora está na porta de entrada.

Antes do plano de retoma virá o plano de emergência. E aí também temos notícias: no layoff, no Rendimento de Reinserção, num plano para integrar independentes. Para ler aqui. Isto para além da emergência na TAP, que está quase a ter acordo.

Na política, destaco-lhe ainda o perfil da contestada ministra da Cultura que tem notícia dentro ("O dia em que Graça foi ultrapassada pelo chefe"), a entrevista à comissária portuguesa Elisa Ferreira (“Vamos ter de fazer impostos novos comuns”) e a entrevista à líder da CGTP ("o 1º de Maio deu-nos força").

Mas há mais. O problema dos contágios na Grande Lisboa, que na verdade se prolonga há um mês.

Também o regresso das rotas de contrabando, junto às fronteiras que fecharam. Também a tensão entre Portugal e Espanha, precisamente por causa da reabertura.

Falamos-lhe ainda do "ambiente explosivo" na psiquiatria (tema difícil em tempos de pandemia). Mas também do ambiente de expectativa no balneário da equipa do Belenenses, a escassos dias do regresso do futebol - uma reportagem exclusiva do Expresso.

E, no Internacional, destaco-lhe uma interessante reportagem na Suécia, o país que não quis impor um isolamento total da sociedade (é assim que eles estão a lidar com o assunto), assim como a gigante tensão com Bolsonaro e em Hong Kong. Tempos difíceis, estes. Mas definitivamente interessantes.

No caderno de economia, a manchete vai para mais uma empresa que vai precisar do Estado: é que a banca recusa salvar Efacec sem garantia do Estado.

Agora atenção a este dado curioso: apesar da recessão, Portugal arrisca convergir mais este ano do que no primeiro governo de Costa. Por isto. E com esta a ajuda suplementar. Dito isto, eis um aviso dos banqueiros: o pior ainda está para vir.

Depois, uma história mais que curiosa: Lopetegui achou que tinha “elevado valor acrescentado” e reclamou um desconto no IRS. Lembra-se dele?

Mudando de assunto: se quiser um guia útil, entre neste sobre o teletrabalho. É que é um caminho sem retorno. E o layoff, quando terá retorno? Para já, são mesmo muitos os que já renovaram.

Na revista,

a capa é para Joe Biden, o adversário de Trump nas presidenciais de novembro. Com aquela pergunta que creio que todos nos faremos: será que ele pode?

Do lado europeu, a discussão é outra. E a pergunta é esta: como será a União depois da tempestade? O velho plano de Marshall servirá de mote ao que hoje estamos a discutir? As pistas são de Lourenço Pereira Coutinho.

Falando na II Grande Guerra, eis uma polémica que os anos não apagam. O título é "Os anos de silêncio na Igreja". E a história começa assim: "Ao olharmos hoje para três terríveis fotografias que surgiram nos arquivos do Vaticano — abertos em março, mas rapidamente encerrados devido à covid-19 — sente-se como os instrumentos diplomáticos foram inadequados perante um drama tão grande e inédito como o Holocausto". Entre por aqui, mas este é um sítio escuro.

Se folhear a revista, verá que depois da igreja vem o futebol. Mas este que aí vem será um futebol completamente diferente...

Para fechar, ainda lhe quero recomendar uma reportagem da Raquel Albuquerque. Chama-se "A maratona dos detetives da covid" e fala-nos dos profissionais de Saúde Pública que há 90 dias, sem parar, rastreiam contactos e investigam cadeias de transmissão numa luta contra o tempo para travar o vírus. Nesta luta não há descanso. Na nossa, de lhe trazer a melhor informação todos os dias, todas as edições, também não.

Bom fim de semana. Até já

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