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Ordem para desconfinar
Quando 64% dos americanos respondem num inquérito nacional que deveria usar-se máscara em público, Donald Trump exibe-se sem usar uma ele próprio e tweeta várias vezes ao dia que não precisa. O Presidente promove a confusão que grassa num país onde a decisão de usar proteção na cara já tinha escala de batalha nacional sobre a responsabilidade individual durante a pandemia. Desde o Memorial Day, 25 de maio, o dia em que os EUA homenageiam os seus cidadãos caídos em batalha, a máscara tornou-se também símbolo de divisão dos americanos.
Usar ou não usar máscara tornou-se ideologia, tornou-se política e cada um dos candidatos à eleição presidencial pelos partidos democrata e republicano fez a sua declaração pública ao aparecerem nas cerimónias com máscara - casal Joe Biden -, e sem máscara - casal Trump.
Este é o contexto em que Trump aposta em desconfinar: os Estados Unidos têm o maior número infetados por coronavírus e os mortos estão no limiar dos 100 mil. O Presidente pressiona insistentemente para que os estados reabram as suas economias assim permitindo que aconteça “a transição para a grandeza”, como reza o slogan da sua campanha. Se dúvidas houvesse, até o ex-chefe de gabinete do Presidente, Mick Mulvaney, disse na terça-feira que usar máscara podia ajudar a revitalizar a economia. Mensagens contraditórias deixaram muitos trabalhadores e as suas comunidades sem saber qual a extensão da disseminação da covid-19.
Pela primeira vez na história, o Twitter adicionou um link a dois tweets da conta do Presidente americano refutando a sua falta de exatidão e denunciado que ele tinha feito alegações falsas acerca dos votos eletrónicos. A empresa incitou as pessoas a “verificar os factos”.
OUTRAS NOTÍCIAS
Plano de Estabilização. Desta vez as conversações não foram limitadas aos ex-parceiros da “geringonça”, ouve-se da esquerda à direita e já há propostas que reúnem consenso. Partidos querem prolongar medidas de emergência e apoio às empresas. Leia aqui o que ficou da ronda de conversações com o Governo.
Bruxelas. Fundo de recuperação. São apresentas hoje as propostas para o Fundo de Recuperação e o próximo orçamento comunitário. Os números só serão conhecidos hoje, mas o Expresso apurou que “alguns comissários deverão defender que a comissão siga a recomendação franco-alemã e proponha uma emissão de dívida de €500 mil milhões para serem transferidos para os países na forma de transferências diretas ou subvenções”.
Depois de dar o dito por não dito (é preciso evitar a “ansiedade” e o “afrouxamento” decorrentes da “incerteza”), a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertava ontem à noite para o perigo de uma segunda onda de contágio.
Rússia. No dia em que a Rússia bate o recorde de aumento de mortes num único dia, com 174 mortos, atualizando o total de óbitos no país para 3807, Vladimir Putin diz que o país “já passou o pico do contágio”.
Covid-19. A América Latina está em sofrimento. A pandemia alimenta-se de miséria e de desordem e encontra as duas naquele continente. O Brasil tem o segundo maior número de pessoas infetadas com coronavírus e está à beira do colapso hospitalar e o Presidente mantém intacta a atitude com que afirmou que a covid-19 é uma “gripezinha” e ela já deixou pelo caminho perto de 23.500 mortos. A manchete do Público de hoje diz: “Grande Lisboa torna-se problema maior da covid-19”.
Brasil. Nada é por acaso e Jair Bolsonaro vai desmantelando a democracia brasileira setor a setor. “A mídia” é inimiga e desnecessária porque ele cria e divulga mentiras ao minuto: “Ó o lixo, ó o lixo, Escória! Lixo! Ratos! Ratazanas! Bolsonaro até 2050!”, gritam os apoiantes de Jair Messias contra o 4.º poder”. Leia aqui o que diz ao Expresso sobre isto Renato Lessa, catedrático de Filosofia Política na Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro (PUC-RJ). E aqui porque é que a democracia brasileira está em sério perigo segundo a opinião de Daniel Aarão Reis, professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro. Aqui pode ouvir os correspondentes do Expresso no Brasil e em França a falar da crise no podcast da secção de Internacional O Mundo a Seus Pés.
China. Ocupada que está com a disputa com os Estados Unidos e com o controlo de Hong Kong, Pequim tem também a preocupação de arranjar emprego para os jovens na era pós-pandemia. A taxa de desemprego para idades entre os 16 e os 24 anos é de 14%, mais do dobro do número oficial para o total da nação.
China II. O Presidente chinês incitou as cúpulas militares a aumentar a prontidão para o combate armado. Falando à margem do Congresso Nacional do Povo, Xi Jinping declarou que a pandemia tinha tido um profundo impacto na segurança e desenvolvimento. O aumento em gasto militar este ano será de 6,6%, abaixo dos 7,5% de 2019.
Fome sem precedentes. Está a aumentar sem precedentes nos… Estados Unidos. Leu bem. O programa de combate à fome avança a passo de caracol e só chega ainda a 15% das crianças necessitadas.
Líbia. Os Estados Unidos alegam que a Rússia enviou caças para apoiar os mercenários do general Haftar na Líbia. A alegação surgiu quando o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, disse a um aliado de Khalifa Haftar que Moscovo apoiava um cessar-fogo imediato e conversações, que culminariam numa autoridade governativa unida.
Afeganistão. Um breve cessar-fogo iniciado no domingo para marcar o festival muçulmano Eid al-Fitr permitiu ao Governo do Afeganistão libertar mais de 900 prisioneiros talibã. Previa-se um adiamento do prazo para evitar um banho de sangue ditado pela desconfiança que tem presidido às negociações destes quase 20 anos de guerra. O “New York Times” sublinhava ontem que os talibãs estão à beira de realizar o seu mais fervoroso sonho depois de não terem cedido senão milímetros na sua ideologia: ver sair as tropas americanas do território.
Praga de gafanhotos. Comem num dia o que toda a população do Quénia ingeriria em dois. A África Oriental corre o risco de ver multiplicar por 400 em junho a intensidade da onda de gafanhotos que devasta a região. A covid-19 só dificulta este combate.
Quando já muitos artistas portugueses se propunham a montar espetáculos em aviões, eis que já são conhecidas as regras para a reabertura dos teatros e cinemas. Saiba porque é que não é preciso deixar um lugar de intervalo nos aviões, diz que o risco é mais reduzido.
Astrofísica. Uma equipa internacional, composta por vários investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), conseguiu, através do espectrógrafo Espresso, confirmar a existência do planeta que orbita a estrela mais próxima do nosso sistema solar, a Próxima do Centauro.
Um miúdo de 12 anos soube exatamente o que fazer quando deu de caras com um urso pardo durante um passeio em Itália. Veja o vídeo que se tornou viral.
É oficial: quando os astronautas aterrarem na Lua em 2024 chegarão lá com a ajuda do Módulo de Serviço Europeu. O programa Artemis da NASA levará de novo seres humanos à Lua mais de 50 anos depois da missão da Apollo 17. Mas antes disso, dez anos depois de Barack Obama ter anunciado que empresas privadas fariam viagens para a Estação Espacial Internacional, é hoje que a NASA vai lançar o seu primeiro voo tripulado desde 2011 num foguetão construído pela SpaceX.
Estamos no ano 2120 e a MasterClass (criada por 80 titãs da arte e da indústria) é a única escola que sobrou. Veja aqui como aconteceu.
Comissão Política, o podcast da secção de Política do Expresso, discute porque é que cada passo da Graça cai em desgraça.
FRASES
“Evolução da receita fiscal de 3,8% é explicada pelo aumento da receita liquidado IRS em 17,8%, associado à diminuição de reembolsos, mas isto será corrigido nos meses seguintes”, Gabinete de Mário Centeno, DN
“Há pessoas aposentadas que estão a aprender línguas”, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Agrupamentos e Escolas Públicas diz ao jornal i que o objetivo da telescola era “socorrer os alunos que não têm computado nem outros meios” mas “surgiu esta mais-valia inesperada”
O QUE ANDO A LER E QUERO VER
É atualmente a música mais procurada para acompanhar funerais no Reino Unido e não deve haver muito gente que não saiba trauteá-la, mesmo que não faça ideia do que está a cantar “Always Look on the Bright Side of Life”. Como foi escrita, em que condições, como se descobriu a interpretação certa ou que viria a ser o final do filme “Life of Brian” (1979) é o que explica Eric Idle na sortabiography homónima que publicou em 2018. Eric Idle é um dos Monty Python’s Flying Circus e este será um livro entre os milhares que contam, analisam e elencam a história de um dos grupos de escritores mais surpreendentes das décadas em que tenho vivido. Não é boa ideia reduzi-los a humoristas porque são, na verdade, muito mais do que isso.
Chegado aos 75 anos, Idle decide que é altura de escrever antes que se esqueça do que viveu. E foi imenso. O livro não se limita aos Monty Python até porque desde antes de existirem como grupo (em 1964 já se tinham conhecido todos e a primeira série é de 1969, na BBC) cada um deles já tinha experiência ou de atuação ou de escrita. O livro tem a preciosa leveza da música e letra que lhe dá o tom e tudo o que descreve poderia estar condensado na frase que o lança: “Life has a very simple plot. First you’e here. And then you’re not”. Pelo caminho desvenda o que é passar uma vida artística fazendo parte do núcleo de uma geração de artistas que fez Inglaterre renascer. E o mundo. Idle assume: “Strange things kept happening to me in the Seventies”.
Contam-se pelos dedos de uma mão os dias para, por fim, o Cinema Ideal reabrir as portas. É a 1 de junho e com dois documentários que não são de perder: “Uma Vida Alemã”, de Christian Krönes, e “Quem Escreverá a Nossa História”, de Roberta Grossmann, cuja estreia deveria ter coincidido com a passagem de 75 anos sobre o fim da II Guerra Mundial na Europa, em maio.
Passe uma bela (e quente) quarta-feira. Encontra-nos sempre e a tudo o que procura em www.expresso.pt.
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