Santana Lopes: “Ainda acho que no domingo vamos celebrar”
04.10.2019 às 22h22
ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
O presidente do Aliança continua com esperança de eleger pelo menos um deputado para a Assembleia da República. Na arruada final da campanha, deixou críticas à “arrogância” do PS, considerou a atitude de Costa “de lamentar” e garantiu que nunca viabilizará um governo socialista
A arruada final da campanha do partido Aliança arrancou na avenida Duque de Ávila e terminou umas centenas de metros mais à frente, no jardim do Arco do Cego que Pedro Santana Lopes inaugurou em 2005 quando era presidente da câmara. Quando esta tarde chegou ao jardim, repleto de grupos de jovens, lançou-se a alguns deles para perguntar se por acaso sabiam quem tinha feito o jardim. “Fui eu”, disse-lhes. “Ah, boa, este é um jardim curtido”, disseram-lhe.
Acompanhado por meia centena de apoiantes, entre eles Martins da Cruz, ex-ministro e vice-Presidente da direção política do partido Aliança, este foi o dia em que Santana Lopes teve mais gente com ele e mais barulho, com ajuda de um bombo e um acordeão. No seu discurso final, num palco montado no relvado do Arco do Cego, o presidente do Aliança manifestou esperança na eleição de pelo menos um deputado. “Acho que no domingo vamos celebrar”, afirmou.
Santana diz que na última semana sentiu uma “maior resposta das pessoas e mais reconhecimento da Aliança”. Ainda que, admita, haja muita gente que ainda não o associa ao partido. “Uma senhora disse que iria votar em mim, mas quando lhe perguntaram o partido, o nome que não foi dito não foi a Aliança”, contou o ex-líder do PSD, partido no qual ainda há quem ache que Santana está.
Quanto às expectativas, o presidente do Aliança vai mais longe. “Há sondagens que admitem que o Partido Socialistas tenha 114 deputados e a Aliança um ou dois. Mesmo que a Aliança venha a ter dois, não viabilizará um governo de António Costa com 114 deputados”, garantiu, defendendo que cada partido deveria dizer “o que fará no caso de o PS ganhar eleições”. Essa, aliás, foi a mensagem passada por Santana noutros discursos durante estas últimas semanas. “A Aliança lutará contra a agenda totalitária, no plano ético e moral, da extrema-esquerda”, acrescentou.
“A campanha política está hoje a terminar de uma maneira que é de lamentar. Sei que a política é dura, mas é dura a vida de toda a gente. Todos nós, por mais ou menos temperamentais que sejamos, temos de manter o sangue frio, mesmo perante as provocações”, afirmou Santana, numa referência ao momento em que António Costa, esta sexta-feira, se exaltou quando foi abordado por um homem numa arruada.
“Eu ouvi duas ou três provocações nestas semanas e, se não fosse quem sou, teria respondido de outra maneira. Mas as pessoas têm de dar o exemplo, têm de se controlar. Não gosto de censurar quem está a ser criticado por toda a gente, mas o que também não gosto de ver é a arrogância do Partido Socialista, a sua sobranceria e a mania de que isto é tudo deles. Mas não, quer ganhem ou não. É uma democracia”, afirmou, acrescentando que o país “precisa de uma volta de cima a baixo”.
Partido dos passarinhos
À semelhança do que foi fazendo ao longo das duas últimas semanas, Santana deixou críticas, ainda que indiretas, ao PAN. “Gostamos muito de animais, mas não falamos muito de animais. Se fossemos o partido dos passarinhos, teríamos garantidos 5% ou 6% dos votos. Nós gostamos muito de passarinhos, mas acima de tudo gostamos das pessoas e lutamos pelas pessoas, nomeadamente as que têm mais dificuldades”.
A campanha do partido Aliança, que se concentrou sobretudo em Lisboa, com uma passagem pelo Porto, e outras rápidas pelo Alentejo, foi pouco virada para os jovens. Ainda assim, no seu último discurso, esta tarde, Santana Lopes aproveitou o facto de estar rodeado de jovens no jardim do Arco do Cego - e até com algumas crianças a acompanhar os pais entre os seus apoiantes - para se dirigir aos eleitores mais novos. “Vejo cada vez mais jovens interessados na política. E os jovens são o futuro de Portugal.”
Há uma pergunta que fica no ar - o que acontecerá ao partido se não eleger um deputado para a Assembleia da República - e Santana atirou também uma resposta para os seus apoiantes. “A Aliança vai continuar durante muito anos e vai lutar pelas suas causas. Nasceu para ficar e para durar.”