Legislativas 2019

Manuela Eanes dá apoio a Costa com recados sobre Tancos

03.10.2019 às 21h48

Numa arruada silenciosa, a notícia foram as palavras da antiga primeira-dama, apoiando António Costa e desautorizando o aproveitamento político do caso de Tancos

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Tiago Miranda

Tiago Miranda

Fotojornalista

Estava a arruada de António Costa posta em sossego, sem música, nem gritos, nem palavras de ordem, quando aconteceu Manuela Eanes. A ação de rua, na Duque d’Ávila, uma das avenidas emblemáticas dos anos de Costa como autarca da capital, estava a revelar-se uma experiência estranha - com a morte de Freitas do Amaral, o PS decidiu que se mantinha a iniciativa, mas sem o ar festivo que os bombos e as juventudes partidárias lhes costumam dar. Era como ver sem som um filme que não era suposto ser mudo.

Ia Costa posto no meio, ladeado pela mulher, Fernanda, e por figuras socialistas - Fernando Medina, Edite Estrela, Jorge Lacão, Isabel Moreira -, todos distribuindo rosas a quem passava, sendo certo que não passava muita gente. Havia até quem se desviasse, afugentado pela massa de gente com bandeiras, com repórteres de imagem à frente.

Mas não Manuela Eanes. A mulher de Ramalho Eanes não só não se desviou como estava ali de propósito para ir ao encontro de António Costa. E tinha “umas coisas para dizer”, conforme repetiu várias vezes, enquanto via o grupo socialista aproximar-se.

Depois dos beijinhos e de algum fingimento de surpresa por aquele acaso perfeitamente coreografado, a antiga primeira-dama disse ao que vinha. Estava ali por “dever de cidadania”, para testemunhar que “António Costa, nas suas diferentes funções, é um homem íntegro e tem da política uma dimensão ética.”

“Estou aqui para dar um grande abraço a António Costa, com a certeza de que ele vai ser o nosso primeiro-ministro”, declarou, entre elogios a Fernanda Tadeu, que “tem sido uma heroína”.

“Temos um país melhor também por causa dele e da equipa dele”, insistiu Manuela Eanes, louvando também a forma como o líder socialista tem tentando fazer uma campanha “esclarecedora”.

TIAGO MIRANDA

Preservar a instituição militar

E já que falamos de campanha… Manuela Eanes lamentou que nesta, “deploravelmente”, o tema tem sido “quase só Tancos”. “O que é uma pena.”

A mulher do antigo comandante supremo das Forças Armadas demarcou-se dos aproveitamentos políticos deste caso, que têm dominado muitas intervenções de campanha.

“Todas as instituições ao longo dos anos têm tido problemas, de maior ou menor gravidade - a saúde, a educação, etc. Agora houve um caso gravíssimo em relação à instituição militar. Gravíssimo! Que siga o processo, que seja punido quem tem de ser punido. Que haja muita firmeza e uma grande autoridade”, exortou. “Apurem-se os problemas de Tancos, com toda a verdade e toda a firmeza, e o nosso primeiro-ministro, agora e depois, vai empenhar-se e o processo está a seguir. Mas a instituição militar tem de ser respeitada”.

Costa agradeceu o testemunho de “uma cidadã independente”, que “aprecia” a ação do Governo. “Nós é que temos de agradecer estes quatro anos”, replicou a ex-primeira-dama, oferecendo-se para se integrar na arruada e fazer campanha ao lado do secretário-geral do PS. “E agora, continuamos!”, declarou, como quem dá ordem de marcha.

A marcha prosseguiu, ligeiramente mais animada, mas sempre silenciosa.