Legislativas 2019

Manhã de santanismo: Lopes encontra-se com Carreiras, Pedro Pinto e Gomes da Silva

02.10.2019 às 13h34

No meio de uma ação de campanha do Aliança no mercado de Cascais, Santana sentou-se com Carlos Carreiras para beberem um café

João Girão

À mesa, na esplanada do mercado da vila de Cascais, juntou-se ainda, de passagem, Rui Gomes da Silva, ex-ministro no Governo de Santana. E houve outra coincidência. Na visita à feira ainda houve tempo para um abraço ao seu velho amigo Pedro Pinto, em campanha pelo PSD. O presidente da Aliança aproveitou ainda para dizer que o apelo ao voto útil nestas eleições “é quase atentatório da liberdade e da dignidade de pensamento e de escolha de cada um”

Depois de passar pelas bancas do mercado da vila de Cascais, Pedro Santana Lopes sentou-se numa das mesas da esplanada à espera de Carlos Carreiras, presidente daquela câmara, ex-presidente da distrital de Lisboa do PSD e um dos críticos de Rui Rio. Durante menos de dez minutos, beberam café, conversaram. Por acaso, passou por ali um dos santanistas de sempre: Rui Gomes da Silva, que foi ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares no Governo de Santana e é candidato à presidência do Benfica. Como se esta coincidência não bastasse, Santana havia de se cruzar com outro dos seus maiores aliados no PSD: Pedro Pinto, seu ex-vereador na câmara de Lisboa e presidente da distrital de Lisboa. Há dias assim, em que uma pessoa sai à rua e de repente encontra os amigos todos (mesmo quando estão noutro partido).

O encontro entre Santana e Carreiras, que estava combinado para as dez da manhã desta quarta-feira, a meio de uma ação de campanha do presidente do partido Aliança no mercado de Cascais, foi “um encontro de amigos”, diz Santana Lopes. “Um encontro de pessoas que têm muitos anos de combate em conjunto e, independentemente das diferenças de filiação partidária, existem muitos laços pessoais de há muitos anos”.

“Vindo aqui a Cascais, ele, gentil como é sempre, veio-me dar um abraço”, acrescentou. Carlos Carreiras saiu sem falar à imprensa.

A Carlos Carreiras e Santana Lopes ainda se juntou, por momentos, Rui Gomes da Silva, ex-ministro do governo de Santana e ainda no PSD

A Carlos Carreiras e Santana Lopes ainda se juntou, por momentos, Rui Gomes da Silva, ex-ministro do governo de Santana e ainda no PSD

João Girão

Questionado sobre se mantêm os dois a mesma posição quanto a uma aliança à direita como solução para travar uma nova 'geringonça' de António Costa, Santana reiterou a ideia e confirmou a “convergência” entre os dois nessa matéria. “Portugal ganharia muito. Acho que é manifesto, e ainda hoje de manhã ouvia o primeiro-ministro, de que há um esgotamento e um nervosismo daquele setor e nomeadamente do PS", considerou, dizendo também que "há algo que faz lembrar 2015, com o PS a baixar nas últimas semanas e nos últimos dias".

Já em agosto do ano passado, Santana e Carreiras tinham almoçado os dois, e o social-democrata assumira ver no novo partido de Santana Lopes uma oportunidade para engrossar uma alternativa de direita à 'geringonça' de António Costa.

No final da curta conversa desta manhã, Santana aproveitou para dar uma volta à feira, distribuindo panfletos da Aliança. Entre duas bancas de roupa, cruzou-se com o seu velho amigo Pedro Pinto, do PSD, que estava a fazer campanha pelo partido ali em Cascais e a quem deu um abraço - apesar de estarem em "clubes diferentes".

Santana Lopes encontrou mais um santanista (estavam todos em Cascais esta manhã): Pedro Pinto, líder da distrital do PSD (e seu ex-vereador) estava a fazer campanha pelo partido no mercado de Cascais

Santana Lopes encontrou mais um santanista (estavam todos em Cascais esta manhã): Pedro Pinto, líder da distrital do PSD (e seu ex-vereador) estava a fazer campanha pelo partido no mercado de Cascais

João Girão

Voto útil "é quase atentório da liberdade"

Para Santana Lopes, ao votar, os portugueses vão pensar "no que seria o país com mais quatro anos de Governo PS apoiado à esquerda, nas atuais circunstâncias que a Europa atravessa". É também por isso que quis voltar a reforçar o que tem dito desde o início da campanha. “O voto útil é inútil nestas legislativas”, afirmou. "Não interessa estar a votar num dos maiores partidos para ganhar, porque eles precisam é que do seu lado exista uma maioria", detalhou.

Defender o voto útil neste momento é, insistiu, "quase atentatório da liberdade e da dignidade de pensamento e de escolha de cada um".