Legislativas 2019

O estado da campanha? Caótico

01.10.2019 às 1h58

RUI DUARTE SILVA

A sondagem do dia mostra o PS a perder terreno. Costa fugiu das perguntas difíceis. Rui Rio fez metáforas com futebol, o Bloco já atirou ao primeiro-ministro e os parceiros deixaram o PS sozinho em Tancos. Quando até os pequenos tiveram tempo de antena, a reta final, definitivamente, não começou famosa para o líder socialista. Ao ponto de Alegre ter de elogiar... Mário Centeno

David Dinis

David Dinis

Director-adjunto

A campanha já não ia tranquila, mas a cada dia que passa complica-se. Desde logo para António Costa: Tancos? Relações com Marcelo? A cada pergunta dos jornalistas, na arruada de Cacilhas, António Costa encontrou sempre um "furacão ameaçador" para fugir a grande velocidade.

Não é caso para menos. Tancos entrou na campanha precisamente com a força de um furacão de nível 5, como o que ameaça aterrar nos Açores amanhã. E nesta segunda-feira, o primeiro-ministro perdeu até as barreiras para se defender: quando o PSD de Rui Rio formalizou o pedido de uma reunião de emergência na AR para debater o tema (ainda antes das eleições) BE e PCP abriram a porta à mais incómoda das discussões (mesmo que a contragosto).

O PS fez um esforço para mudar de conversa. Primeiro foi Centeno a tentar puxar o PSD para uma conta de subtrair; depois veio Manuel Alegre a fazer o elogio mais improvável... ao próprio Centeno. A verdade é que o dia não foi de feição: a sondagem diária TVI/TSF, a única que se publica nestes dias, mostrou o PS a encurtar distância para os sociais-democratas para menos de 7 pontos de vantagem. E até o Bloco, alvo de violentas críticas de Santos Silva no domingo, passou ao ataque ao próprio Costa - coisa ainda não vista durante a campanha. Furacão, é como lhe chamam.

Mas não foi só ao PS que o dia não correu de feição: Jerónimo de Sousa arriscou passar o dia num sítio de sucesso improvável. E, apesar de uma passagem por uma novel aldeia de Asterix, a verdade é que o esforço pareceu inglório, como conta a Rosa Pedroso Lima.

Inglório, também, o dia de Assunção Cristas, com rota longa de Faro a Coimbra, terminando com um fado à desgarrada que foi cantada a muitas vozes. Vozes demais, para o efeito pretendido: é que em Coimbra apareceu um grupo a estragar a festa. Não fosse Tancos e dir-se-ia que o dia tinha sido uma batalha perdida.

Do outro lado, foi Rui Rio quem mais capitalizou. O líder do PSD marcou a iniciativa forçando Ferro Rodrigues a uma decisão a contra-gosto (marcar ou não marcar o debate, eis a questão) e ainda aproveitou a embalagem para um comício que escasseia. Como escreve o Miguel Santos Carrapatoso, entre bombos e minhotos (mesmo com palavrões à mistura), Rio ainda se arriscou a deixar uma promessa: “No domingo vamos ser o Famalicão”.

Quem quis ser Famalicão também (para quem não saiba, o improvável líder do campeonato de futebol nesta altura) foram os líderes dos pequenos partidos. Foram 15 (15!) os que ontem debateram na RTP, mas mostrando que jogam em vários campeonatos diferentes. Se quiser rever as frases mais marcantes, passe por aqui (tem direito a uma viagem que vai do Burundi a Lisboa). Se preferir perceber as diferenças entre todos, o melhor é terminar a viagem neste texto.

A viagem vai caótica, na expectativa de como evolui o furacão. Hoje há mais - e as eleições são já dentro de cinco dias.