André Ventura sobre Tancos. “As pessoas estão fartas de mentiras”
30.09.2019 às 20h55
André Ventura conseguiu ser eleito por Lisboa
Luís Sousa
Antes do debate desta noite na RTP, o candidato do partido Chega!, André Ventura, fez uma pequena arruada na linha de Sintra, onde cresceu, e onde voltou a defender a “castração química de pedófilos” e a “redução do número de deputados”
Numa curta ação de campanha na tarde desta segunda-feira, André Ventura voltou a um lugar que conhece bem. Em Massamá, na linha de Sintra, andou pouco mais de uma hora pelas imediações de uma estação de comboios que o serviu “várias vezes” (é natural de Mem Martins, ali ao lado). E, perante uma comitiva de uma dezena de militantes, aproveitou para erguer as bandeiras de sempre. “Olho para estas pessoas que ganham pensões miseráveis enquanto o Estado paga uma subvenção vitalícia a Armando Vara, condenado pela justiça. Isto não é admissível.” Além das subvenções às “elites políticas”, os apoios sociais às camadas mais baixas da população também estiveram na mira. “Não podemos ter pessoas a trabalhar para sustentar aqueles que não querem fazer nada e que têm casas oferecidas pelo Estado.”
O candidato e líder do partido Chega! não admite outro resultado que não a eleição de, pelo menos, um deputado nas legislativas de 6 de outubro. “Só não conseguiremos se houver uma catástrofe eleitoral, que não vai acontecer.” Ventura está de tal forma confiante que recusa responder à questão “e se não eleger?”. “Tenho sentido nas ruas e nas redes sociais um grande entusiasmo”, atira, enquanto as ruas de Massamá lhe vão dizendo algo que não é novidade: o Benfica, se não der votos, dá pelo menos visibilidade e tema de conversa. “Não podemos confundir a política e o futebol”, repete o também comentador televisivo.
Quem são então os eleitores do Chega!? “Digo sempre: quem não acredita na castração química de pedófilos, não vote em mim. Quem não acredita na redução do número de deputados, não vote em mim.” O cabeça de lista por Lisboa defende uma redução de mais de metade da atual composição da Assembleia da República, de 230 para 100 deputados. Mais do que uma conta concreta, o número “é simbólico”. “Parece-me razoável, temos uma população de cerca de 10 milhões. E passaria uma ideia de moralização da política”, defendeu.
Da justiça e da política à economia — “sou contra a progressividade do IRS, porque prejudica quem cria valor” —, as ideias de André Ventura acabaram discutidas na noite desta segunda-feira num debate que reúne os pequenos partidos (15), que tentam pela primeira vez chegar ao Parlamento. Para o líder do Chega!, apenas o seu partido e a Iniciativa Liberal têm hipóteses de lá chegar. Mas faz questão de marcar a diferença: “Eles [os pequenos partidos] dizem o mesmo que toda a gente. Não se distinguem dos outros”, afirma um homem que até começou na política tradicional (foi autarca do PSD em Loures) e que faltou a um debate semelhante nas vésperas das eleições europeias para não falhar o comentário que habitualmente faz na CMTV. “As pessoas perceberam que os partidos tradicionais já não respondem aos seus anseios. Foi por isso que saí. O Chega! é um grito de revolta.”
Prometendo “surpresas” para o debate, André Ventura garantiu que não é o rosto único do partido e que também não é anti-política. “Somos um partido anti-sistema.” Sobre o tema que tem marcado a atualidade da campanha, o caso de Tancos, foi taxativo: “Alguém acredita que o ministro da Defesa sabia de uma coisa tão grave e não disse a ninguém? Alguém acredita que o chefe da casa militar guardou tudo para ele? As pessoas estão fartas de mentiras.”