Dono de uma carreira que remonta à década de 70, Rão Kyao aceitou em pleno século XXI uma missão diferente: a convite da Embaixada da Índia, e a propósito das celebrações dos 150 anos do nascimento de Mahatma Gandhi, recriou ‘Vaishnav Jan to Tene Kahiye’, tema querido do herói da independência indiana e espécie de hino não oficial do país. Entusiasmado com o processo, acabou por criar um álbum de homenagem ao vulto que descreve como “gigante da paz”. Chama-se “Gandhi — Um Português Homenageia Gandhi” e serve de mote a esta conversa.
O que mais o impressiona no legado de Gandhi?
É um gigante da paz. Transmitiu ao mundo uma esperança e uma fé muito grandes — em si próprio e em Deus. Ao mesmo tempo, enfrentou a luta com uma atitude pacífica. Na prática, provou a força da paz. Tinha uma filosofia que, na língua indiana, é designada por satyagraha, o que significa “não agressão ativa”. Foi através desta atitude que conseguiu a independência [da Índia] em relação aos ingleses, num processo complicado e moroso, mas sem derramar sangue, pelo menos da sua parte. E conseguiu mobilizar a Índia para adotar esta filosofia de vida, o que levou os ingleses a terem de depor as armas. Quem se debruçar sobre este processo vê a força extraordinária deste homem. Mas uma força contrária àquilo que consideramos força. Porque a força está sempre associada à agressão, a um comprovativo de musculatura a nível militar. Ele fez tudo ao contrário. É uma grande lição.
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