Podemos ler “Rio Profundo” (1993) como mais um, o último, romance socio-metafísico de Shusaku Endo (1923-1996); como uma tentativa de esbater as diferenças entre as grandes religiões; ou como uma nova formulação de uma dicotomia antiga: “catolicismo europeu” versus “catolicismo japonês”. O facto de Endo ser um japonês católico, ínfima minoria, de ter estudado na Europa e de ter uma consciência aguda da rejeição da mundividência cristã no Japão fazem dele um caso singular. E é de ‘casos’ que “Rio Profundo” se ocupa, de uns quantos homens e de uma mulher que perderam alguma coisa, que procuram alguma coisa, que em geral não acreditam em nada, mas não estão fechados a essa possibilidade.
Isobe ficou viúvo. Tinha um casamento convencional, um viver habitualmente sem grandes manifestações de afecto. Mas a morte da mulher, de cancro, transtorna-o, porque se apercebe do amor dela por ele, e porque ela se despediu manifestando uma surpreendente crença na reencarnação, um choque para Isobe, que só acredita no aniquilamento. Numada, autor de livros infantis, tem uma paixão por animais. Os animais foram, em várias circunstâncias da sua vida, em especial na doença, os seus verdadeiros amigos.
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