Cultura

O que aí vem. 2021 na música: nada como dantes

17 Janeiro 2021 19:37

Luís Guerra

Luís Guerra

texto

Jornalista

Na era covid, o streaming vence. No pós-covid, não deverá ir embora

guillaume payen/sopa images/lightrocket via getty images

2020 agitou as águas, 2021 não promete acalmá-las. Está tudo a mudar: o streaming cresce (mas não para todos), a música ao vivo agoniza, a pandemia (quase) tudo decidirá. E ainda: os concertos e os discos que este ano nos reserva, de Bon Iver em sala ao disco póstumo de Carlos do Carmo

17 Janeiro 2021 19:37

Luís Guerra

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Jornalista

E de repente tudo tremeu. As bandas deixaram de fazer check-in em aeroportos e hotéis, os técnicos perderam a sua cadeira atrás da mesa que controla o som, as palmas deixaram de se ouvir, a cortina fechou. A primeira e mais cruel consequência da pandemia de covid-19 na música foi o fecho generalizado da componente ao vivo: concertos e festivais de música foram suprimidos ao calendário, gerando ondas de choque numa indústria que até aí girava sobre um pressuposto, o de que uma fatia gigante dos rendimentos dos seus intervenientes (artistas e tudo à volta deles) provém do irrepetível apelo do momento ao vivo, em direto, in loco.

Em sentido inverso, o consumo de música através de streaming cresceu com a reclusão de um ano feito de muito menor mobilidade, e o conceito de live streaming foi ao encontro de novos modelos, tornando-se mais do que uma mera ‘comodidade’. Depressa se passou do tosco e roufenho live de Instagram em que o artista, sozinho, arranha a guitarra e não cobra nada por isso, para apostas tecnologicamente evoluídas prontas a ser patrocinadas ou contratadas por marcas (a única forma de, para já, haver dimensão de mercado) ou com bilhete cobrado à ‘porta’, como fez Nick Cave quando se ‘fechou’ no Alexandra Palace, em Londres, e canalizou uma atuação (neste caso, gravada) primeiro para streaming, depois para cinema e o velho fonograma — isto é, colocando os ovos em várias cestas e cobrando efetivamente por cada ovo vendido. É uma estratégia que, crê-se, não desaparecerá quando voltar a ser possível juntar 50 mil pessoas num campo com um palco ao fundo.