O teu olhar atómico: assim nasce uma especulação (o caso Lady Gaga/Bradley Cooper)
25.02.2019 às 19h44
Uma minicrónica que na verdade é um pretexto para rever duas vezes os 8 segundos do momento
Dizem que o mundo dela foi refeito por emoções novas, que ela vive a adrenalina da substituição - amava um e agora ama outro: foi notícia que ela terminou o noivado e as desgraças têm causas que são da intimidade dos desgraçados, mas os analistas das redes sociais, esses cientistas do comportamento humano, descodificaram os sinais deste casamento cancelado - o noivo foi preterido por um homem comprometido e ela escolheu a eventualidade de um amor não correspondido em vez da angústia de uma boda corrompida.
Do preterido não se ocupam os cientistas - aos derrotados no amor concede-se o silêncio do sofrimento -, mas ao eleito é gabada a beleza loura e a elegância militar - aos vencedores no amor atribui-se a glória do elogio. Mas o eleito não é solteiro, tem uma mulher que os demais louvam quando veem fotografias ou assim, e os cientistas dizem que a mulher louvada é mais bonita que a mulher sem noivo, são cientistas que sabem tudo sobre a especulação e nada sobre o amor: os homens e as mulheres juntam-se e deixam-se e juntam-se e deixam-se pelos motivos todos, a beleza desaparece e o amor permanece ou a beleza permanece e o amor desaparece, a paixão ou a falta dela possibilitam combinações imprevisíveis.
Eles fizeram um filme e os cientistas escreveram que ela se babava por ele nas gravações, existem palavras disformes para descrever sentimentos enormes, babar é verbo com fealdade mas também clarividência suficiente para explicar o que já não dá para fingir, e domingo vimos-lhe baba que não era saliva na boca mas energia atómica nos olhos e ele foi sentar-se ao lado dela para lhe levar a central nuclear, 8 segundos de eletricidade para especularmos tudo e ter fé nas coisas invisíveis do mundo.