Coronavírus

Covid-19. Lay-off: uma ‘fisga’ transformada em ‘bazuca’

02.05.2020 às 22h59

O lay-off já conta com quase 40 anos de existência em Portugal, mas sempre foi uma pequena ‘fisga’ de combate ao desemprego. Desta vez será diferente?

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Elisabete Miranda

Elisabete Miranda

texto

Jornalista

Em 2009, a Delphi protagonizou um dos lay-off mais mediáticos, num ano em que o mecanismo atingiu níveis recorde

Alberto Frias

Nunca na História portuguesa se comemorou um 1º de maio com tanta gente em lay-off. O instrumento foi lançado em 1983, de forma ruidosa mas pouco eficaz, e, quase 40 anos depois, está transformado numa “bazuca” de resposta à crise. Mas a grande prova de vida está por fazer: mostrar que não é uma mera antecâmara para os despedimentos e que serve mesmo para evitar a redução de postos de trabalho.

No ano em que Portugal importou o lay-off o país atravessava uma profunda crise da sua balança de pagamentos, que obrigou a uma segunda intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Estávamos em 1983. Os Governos sucediam-se em alianças pouco estáveis, os empresários reclamavam por mais liberalização económica, revisão das leis da greve, despedimentos mais fáceis, e Ferraz da Costa, na altura patrão dos patrões, protestava com os impasses políticos e garantia que era “contraditório fomentar a produção e o emprego em simultâneo”.

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