Madeira. Dentro da cerca de Câmara de Lobos, foge-se para a pesca e desinfetam-se bananas
24.04.2020 às 8h34
Pescadores em terra, agricultores com colheitas ameaçadas e trabalhadores da construção civil impedidos de ir para as obras. Câmara de Lobos está cercada desde que foi detetado um foco de contágio por Covid-19 num bairro social. 22 pessoas estão em isolamento num hotel com vista para mar, mas não foi fácil encontrar lugar para acolher estes moradores do Complexo Habitacional Nova Cidade, onde começou a história do cordão sanitário à freguesia
Para saírem de Câmara de Lobos, as bananas têm de passar por um processo de desinfeção
Gregorio Cunha
Não é a primeira vez que o complexo habitacional Nova Cidade, em Câmara de Lobos, na Madeira, abre os noticiários. Há três anos, uma derrocada colocou os protestos dos moradores na televisão, indignados com o facto de viverem debaixo de uma escarpa instável. Agora o bairro volta às notícias, mas por causa do foco de contágio por covid-19 e a indignação é de toda a freguesia. O cordão sanitário entrou em vigor no domingo, 19 de abril, e não atinge apenas as 600 pessoas que vivem no bairro da Investimentos Habitacionais da Madeira.
Nem foi apenas o dia a dia dos 22 que testaram positivo – 16 pertencem à mesma família – que se alterou. Os casos positivos foram isolados num hotel no Cabo Girão, estão em quartos com vista para o mar, num lugar soalheiro e bonito, mas não foi fácil encontrar um local que os acolhesse. Pedro Coelho, o presidente da Câmara de Câmara de Lobos, foi quem se bateu para que fossem retirados do bairro e “das vivências do bairro social”. E foi a voz contra a discriminação, um foco de contágio tanto podia acontecer ali como noutro lugar.
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