Estas são das presidenciais com os maiores efeitos sistémicos: temos de distinguir os resultados deste domingo da influência que vão ter no futuro. A direita sofre um abalo que contaminará a democracia portuguesa. No curto prazo, António Costa também ganha: em Belém, à direita, à esquerda e no seu partido. Marcelo foi reconfirmado com distinção, mas continua limitado a ter de se entender com um Governo socialista, no mandato mais difícil que em Belém já se viu
Está mais em jogo nas presidenciais do que saber com que percentagem Marcelo será eleito. O sistema era virgem a lidar com populistas do calibre de Ventura e os debates foram um laboratório para toda a gente aprender. A principal conclusão? Só ao centro foi possível vencer a extrema-direita
Há duas maneiras de ver a questão: o Governo ganha um parceiro para dar mais estabilidade à legislatura ou o PCP está a tentar vampirizar um PS fraco? À primeira vista, o primeiro-ministro foi o grande vencedor do congresso do PCP. À segunda, ainda estamos para ver... depende do preço do apoio dos comunistas
O novo ministro das Finanças passou na primeira prova com o fato novo: atirou-se ao presidente do Novo Banco e provou que tem corpo para ir ao choque com a direita. Mas João Leão deixou assuntos importantes por esclarecer: da TAP ao reforço de capital do ex-BES, e também no IVA da luz. E foi apanhado pelo otimismo
O paradoxo desta crise é que o tsunami recessivo pode garantir mais estabilidade política mesmo no meio de todas as incertezas: quem ia querer governar nestas condições, ou arriscar o ónus da queda do Governo?
Sr. Presidente, ninguém nos está a mentir? Marcelo garantiu que nos ia ser dita sempre a verdade, mas os profissionais de saúde dizem que isso não está a acontecer. António Costa está com um índice alto de aprovação, mas nas próximas semanas tudo pode mudar na proporção inversa do número de mortos. Daqui a uns meses, o tsunami económico também mudará a política portuguesa. Democracia em tempos de pandemia
A estratégia da resiliência pode dar resultados. É preciso aguentar para estar no lugar certo no momento certo e Rui Rio está no lugar certo. Resta saber se o momento em que o poder lhe cai no colo chegará. Para isso, Rio tem um problema de posicionamento para resolver: como pode proclamar-se do centro e desejar os ex-votos do PS sem rejeitar alianças com André Ventura? Ou é artificial ou pouco credível. Pragmático é de certeza
Francisco Rodrigues dos Santos pode ser um sucesso porque o espírito do tempo é, à direita, de populismo. E ele é o 'Tea Party' português. Mas pode ser um pequeno passo para o abismo. A direita gosta de chefes e ele é um chefe. O CDS está sedento de liderança
Seria um manifesto exagero prometer que o PSD voltará ao poder no próximo ciclo - e talvez seja esse o seguro de vida deste líder. Se Luís Montenegro não está assim tão morto, Rui Rio não estará assim tão exageradamente vivo. Outros, porém, estarão mais vivos do que parecem enquanto fazem de mortos. Estas diretas ainda não foram para o candidato a primeiro-ministro. Uma análise em quatro pontos
O PSD preferiu (e parece que vai preferir) o líder que lhe deu as piores derrotas. Percebe-se? Sim. Do outro lado continua a haver um vazio por preencher