Sociedade

Passar para Espanha a pé, de trator ou pelas rotas do contrabando: como duas aldeias em Chaves vivem com as fronteiras fechadas

22 Fevereiro 2021 8:20

RUI DUARTE SILVA

A eurocidade Chaves-Verín está de novo limitada pelo combate à covid-19, mas há quem não se conforme com as regras ou com os quilómetros a mais para chegar a um posto de fronteira: usar tratores e rotas de contrabando ou deixar um carro do outro lado para poder passar a raia a pé são algumas estratégias usadas para contornar a lei. Esta é uma viagem às aldeias de Soutelinho da Raia - que já foi dividida com Espanha - e de Vilarelho da Raia, a dois passos de Rabal, onde a Guarda Civil está atenta (tal como a GNR, do lado português)

22 Fevereiro 2021 8:20

São oito quilómetros quadrados de lugarejo situado a meio caminho entre Chaves e Montalegre. Antigamente, até finais do século XIX, a raia passava-lhe por entre as casas e cortava-lhe a meio a rua principal. Por essa altura, nas contas do centenário Manuel, Soutelinho da Raia era capaz de albergar umas 300 pessoas, todas dedicadas a cuidar de terrenos agrícolas. Hoje a população definhou e envelheceu, mas não divergiu na ocupação. Da centena de pessoas a habitar a terra - contas por alto - há sete mais velhas que ele, “três homens e quatro mulheres”.