Sociedade

Quatro mil assinaturas por um futuro sustentável

15.05.2020 às 17h10

Selos de sustentabilidade para as universidades, exigência de contrapartidas ambientais para apoiar empresas como a TAP e medidas para proteger ecossistemas naturais como as pradarias marinhas foram algumas das medidas que o grupo “Lidera” apresentou esta semana ao ministro do Ambiente. A petição a reivindicar “uma recuperação que nos garanta um futuro sustentável” já conta com mais de quatro mil assinaturas

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Quatro representantes do grupo de jovens da comunidade Lidera — que lançou uma carta aberta em defesa de um “futuro justo e sustentável“ — foram esta quinta-feira recebidos pelo ministro do Ambiente. Além de entregarem a João Matos Fernandes um exemplar da carta em que apelam a uma recuperação económica que tenha em conta uma “estratégia assente na sustentabilidade climática”, os jovens aproveitaram para apresentar algumas propostas concretas.

Entre estas, lembraram ao ministro que, “à semelhança do que outros países europeus estão a fazer, o Governo português devia impor contrapartidas ambientais a empresas como a TAP”, conta ao Expresso Catarina Alves, porta-voz da iniciativa. A Air France, por exemplo, “terá de reduzir para metade as emissões de gases de efeito de estufa e usar combustíveis mais sustentáveis até 2025 para poder receber apoios estatais”, na fase pós-covid, diz a jovem de 23 anos que trabalha numa empresa de turismo sustentável e se encontra em lay off nestes tempos de crise pandémica. Em causa, acrescenta Catarina Alves, “está também um uso mais sustentável do dinheiro dos contribuintes”.

A criação de um selo de sustentabilidade verde para as universidades, como o que existe para os festivais de música, para incentivar dirigentes académicos, professores e estudantes a adotarem hábitos e comportamentos com menor pegada ecológica; e uma maior aposta na proteção da biodiversidade e a inclusão das pradarias marinhas no roteiro para a neutralidade carbónica foram duas outras das propostas avançadas na reunião com Matos Fernandes.

Satisfeitos por encontrarem “abertura do ministro do Ambiente” em ouvi-los, os jovens esperam vir a ter a mesma reação dos ministros das Finanças e da Economia e, também do residente da República.

Lançada a 2 de maio, a petição por um futuro sustentável conta já com mais de quatro mil assinaturas e tem a ambição de chegar às 10 mil.

Na carta, recordam que “tal como a crise pandémica que atravessamos, chega a todas as fronteiras e classes sociais, também a crise climática agrava ainda mais as desigualdades já existentes”. E que ambas “foram previstas por cientistas e organizações internacionais e desvalorizadas por governos e empresas”.

Para estes jovens, a recuperação económica pós-covid assenta “em quatro pilares essenciais” que passam por: políticas fiscais alinhadas com uma transição energética dos combustíveis fósseis para 100% energia renovável; investimentos em tecnologias limpas e mais eficientes; aposta na valorização dos serviços dos ecossistemas e na biodiversidade; e disseminação da educação ambiental com incentivos à participação pública

Criada em janeiro, a comunidade LIDERA tem como objetivo “efetivar a transição de Portugal para uma sociedade sustentável do ponto de vista social e climático” . O grupo junta investigadores, cientistas, empreendedores, dirigentes e organizações não governamentais, jornalistas e figuras públicas com menos de 35 anos.

Entre os primeiros subscritores e apoiantes encontram-se a ZERO, a Confederação Portuguesa de Associações de Defesa do Ambiente, e personalidades de diversas áreas da sociedade, como o apresentador João Manzarra, mas também o filósofo Viriato Soromenho Marques e os ex-ministros Maria Manuel Leitão Marques ou Adalberto Campos Ferreira.