Sociedade

Reino Unido: Harry pede licença sem vencimento

11.01.2020 às 12h04

O príncipe Harry e a mulher Meghan viverão parte 
do tempo na América

EPA

Neto da rainha afasta-se da família real, gerando reações díspares. Harry e Meghan viverão parte do tempo na América.

Pedro Cordeiro

Pedro Cordeiro

Editor da Secção Internacional

Propor um referendo sobre a instituição mais popular do país pode não ser um passo óbvio quando se quer liderar o maior partido da oposição após pesada derrota eleitoral. Clive Lewis, deputado trabalhista e aspirante ao lugar que Jeremy Corbyn vai deixar em abril, sugeriu uma consulta não sobre a monarquia, mas sobre o tamanho da família real, isto é, o número de pessoas com funções oficiais pagas pelo erário público. Nisso parece estar de acordo com o príncipe Harry.

O neto da rainha e filho mais novo de Carlos, príncipe de Gales e herdeiro do trono, anunciou esta semana que pretende, com a sua mulher, a ex-atriz americana Meghan Markle, e o filho de ambos, Archie Harrison, ter um papel “mais progressista” dentro da instituição monárquica.

Isso implica o casal afastar-se dos holofotes, dividir o tempo entre o Reino Unido e a América do Norte e tornar-se “financeiramente independente”, embora “continuando a apoiar plenamente Sua Majestade”, lê-se num comunicado assinado pelos também duques de Sussex.

Descortês com a avó

A imprensa britânica dividiu-se entre a compreensão — Harry detesta a notoriedade desde a morte da mãe, Diana, em 1997 — e as críticas por não renunciar a prebendas pagas pelo Estado. Houve palavras duras ao saber-se que Harry ignorara o pedido de Isabel II para adiar o comunicado até se definir o seu futuro.

A rainha chamou a si a resolução da crise. Meghan voou para o Canadá, onde os Sussexes passaram mês e meio de férias de Natal.

A prestigiada monarca, de 93 anos e há 67 no trono, teve um ano difícil. O marido Filipe, de 98, deixou de guiar depois de ter provocado um acidente e foi recentemente hospitalizado.

O filho André abandonou a vida pública devido à amizade com o falecido pedófilo americano, Jeffrey Epstein. Uma mulher diz ter sido recrutada por este último, quando era menor, para ter relações sexuais com o príncipe.