• A Beleza das Pequenas Coisas

    A Beleza das Pequenas Coisas

    Conversas conduzidas por Bernardo Mendonça com as mais variadas personagens que contam histórias maiores do que a vida. Ou tão simples como ela pode ser

  • Pedro Simas: “Percebo o receio do Governo de falar em desconfinamento porque vai induzir euforia e descontrolar tudo na sociedade”

    A Beleza das Pequenas Coisas

    Pedro Simas: “Percebo o receio do Governo de falar em desconfinamento porque vai induzir euforia e descontrolar tudo na sociedade”

    O virologista e investigador principal do Instituto de Medicina Molecular, Pedro Simas, que foi um dos signatários de uma carta aberta divulgada esta semana a pedir a reabertura urgente das escolas, é da opinião que haverá pouca vantagem em manter o confinamento muito mais tempo. E está convicto de que as escolas até o 6º ano deverão abrir em breve. “Estamos perto de atingir um planalto em que já não vamos conseguir baixar o número de infeções por dia.” No entanto, o cientista também assume que este cenário de melhoria pode virar. “Pelo menos 70% da população portuguesa ainda não tem imunidade ao vírus. O potencial de disseminação é ainda grande. E aí confio no Governo para saber se há risco ou não de descontrolo social.” Ouça esta conversa em podcast, onde o investigador assume como um enorme desgosto pessoal o levou a uma travessia interior que o transformou num homem mais forte e confiante

  • Maria do Rosário Pedreira: “Vivemos tempos sem empatia, pela falta de leitura e excesso de digitalização, o que nos torna menos humanos”

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    Maria do Rosário Pedreira: “Vivemos tempos sem empatia, pela falta de leitura e excesso de digitalização, o que nos torna menos humanos”

    É uma das mais notáveis editoras portuguesas, responsável pelas publicações do grupo Leya. Foi Maria do Rosário Pedreira que descobriu e publicou autores agora consagrados como José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe, João Tordo ou Nuno Camarneiro. Há mais de vinte anos que se dedica a tirar manuscritos das gavetas, ajudando a dar a conhecer o talento literário nacional. Ou como gosta de dizer anda “à procura de agulhas no palheiro”. Por isso chamam-na de “caça-talentos” e há quem a considere uma espécie de José Mourinho da literatura. Não acredita na morte do livro, mas afirma-se desesperançada com as novas gerações. “Aquilo que mais me aparece são livros que parecem guiões escritos por uma geração influenciada pelas novelas más”. Do seu ponto de vista, as séries de ficção vieram substituir a literatura porque é mais fácil ir atrás de uma coisa que não faz pensar. “O confinamento não aumentou leitores. As pessoas quiseram alienar-se com séries.” Leitora experimentada e poetisa premiada, além de letrista e escritora, assume escrever mais quando está triste e que os poemas já a salvaram da solidão e até de uma grande depressão

  • Rui Tavares: “A democracia é como a saúde mental: para a perderes só precisas de a ter”

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    Rui Tavares: “A democracia é como a saúde mental: para a perderes só precisas de a ter”

    Homem de esquerda, o historiador e político Rui Tavares alerta a direita portuguesa sobre o perigos da coligação com o Chega, que viabilizou o novo governo nos Açores. “É preciso marcar a diferença entre quem está e quem não está lealmente na democracia. A direita não pode estar a falar com o líder desse novo partido extremista, nem fazer orelhas moucas às críticas.” Sobre a polémica retirada de confiança política do Livre à sua única deputada eleita, Joacine Katar Moreira, Rui Tavares deixa claro que esse momento “difícil” do partido que ajudou a fundar está ultrapassado. “A diferença entre o Livre e os outros [partidos] é que o Livre não está aqui para varrer nada para debaixo do tapete. No Livre valem mais os seus princípios do que o poder. E é isso que vai fazer com que regresse ao parlamento e faça finalmente a sua trajetória na política portuguesa.” Ainda sobre as presidenciais afirma: “Uma Presidente como a Ana Gomes traria um grau de escrutínio importante a Belém”

  • “A única coisa de que me arrependo é de não ter estado à altura da pessoa que encontrei na minha vida e que a marcou para sempre”

    A Beleza das Pequenas Coisas

    “A única coisa de que me arrependo é de não ter estado à altura da pessoa que encontrei na minha vida e que a marcou para sempre”

    O filósofo Eduardo Lourenço, um dos maiores pensadores do nosso tempo, abre o livro da sua vida. Fala do passado, do seu grande amor, o gosto pela música, pelo cinema e comenta o futuro do país, da Europa e do mundo com uma lucidez, rapidez de raciocínio e vigor raros. Lourenço, que foi distinguido o ano passado com o prémio Vasco Graça Moura e é conselheiro de Estado do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa revela ainda um encantamento com Catarina Martins e Mariana Mortágua, “pequenos Fidel Castros”. No dia em que se soube da sua morte, o Expresso republica esta conversa íntima para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”

  • Valter Hugo Mãe: “Vamos voltar a uma aparente normalidade, mas ainda mais degenerada e predadora”

    A Beleza das Pequenas Coisas

    Valter Hugo Mãe: “Vamos voltar a uma aparente normalidade, mas ainda mais degenerada e predadora”

    Num ano de introspecção o escritor Valter Hugo Mãe mergulhou a fundo nas memórias do passado para escrever o seu livro mais pessoal e intimista, “Contra Mim”, lançado em outubro, onde revisita a infância e adolescência para verificar a que distância está do que se prometeu e sonhou. Uma obra à procura da criança que cedo percebeu que “as palavras eram jóias” a sair da boca das pessoas. Autor de sete romances, de onde se destaca “O Remorso de Baltazar Serapião”, prémio Saramago em 2007, deixa claro que esta última obra só aconteceu pela clausura a que foi obrigado. “Perante este pasmo assustado da pandemia senti-me exposto a um certo espelho. Tive a sensação de estar em dobro. O que significa que a solidão é de facto um espelho diante de nós.” Para o escritor o paraíso são os outros, mas não augura nada de bom para os próximos tempos. “Vamos evoluir num sentido mais consumista, as pessoas estarão mais egoístas. Porque, de repente, sentem necessidade de serem compensadas. Num sentido profundamente infantil. Quando libertas de alguma coisa que acham que não mereceram, tornam-se carentes e mimadas. E já vamos assistindo a isso”

  • Diogo Infante: “Foi o meu filho que me inspirou a partilhar publicamente o meu casamento e a sua adoção”

    A Beleza das Pequenas Coisas

    Diogo Infante: “Foi o meu filho que me inspirou a partilhar publicamente o meu casamento e a sua adoção”

    É um dos nomes mais relevantes do teatro, do cinema e da televisão. E regressa dia 26 de novembro aos palcos, no Teatro da Trindade, em Lisboa, para protagonizar Ricardo III, de William Shakespeare. “Este nosso Ricardo III é quase um psicopata sanguinário. Um homem manipulador, feio, torto, que provoca asco. Vão ter uma surpresa ao vê-lo.” Sobre o momento difícil que os artistas e profissionais das artes atravessam, o ator e encenador considera que “nunca antes as fragilidades da Cultura estiveram tão expostas, tão em carne viva”, mas não atribui culpas a Graça Fonseca. “A ministra da Cultura está empenhada, mas provavelmente de mãos atadas a negociar com outros ministérios e a conquistar um espaço que lhe é difícil.” Quanto aos desafios da paternidade, revela que o filho Filipe, agora com 17 anos, é um amigo atento que o ajuda a ser melhor pai e melhor pessoa. “Saiu-me a sorte grande. É absolutamente adorável quando ele olha para mim e diz ‘tem cuidado’ ou ‘se calhar estás a fazer isto demais’. É um ser que me ama, que se preocupa, que está atento. E isso é verdadeiramente transformador e responsabilizador”

  • Aldina Duarte: “Sou uma sobrevivente. Não é durante as crises e tragédias que me vou abaixo”

    A Beleza das Pequenas Coisas

    Aldina Duarte: “Sou uma sobrevivente. Não é durante as crises e tragédias que me vou abaixo”

    Aldina Duarte afirma que não quer viver só para cantar, que gosta de ficar horas a contemplar as nuvens a desaparecer do Tejo. Começou o ano a comover uma multidão na discoteca Lux-Frágil, em Lisboa, quando apresentou o novo disco “Roubados”, onde recria doze clássicos do fado para celebrar os 25 anos na música. Depois a pandemia alterou-lhe os planos, mas não lhe arrancou o ânimo. “Não é durante as crises e tragédias que me vou abaixo. É muito depois, quando estiver tudo estabilizado.” Apesar de fadista, Aldina diz ter mais tendência para viver no futuro. “Estou agora a tentar viver o presente de forma construtiva. Quero sair uma pessoa melhor desta experiência violenta e rara.” De volta aos palcos para quatro concertos, em Lisboa, Castelo Branco, Faro e Vila Real, a artista deixa claro que recusou fazer parte de tributos a Amália porque “não há nada a mexer nesses temas emblemáticos.” Sobre as novas solidões afirma: “Não foi só o vírus que nos isolou. Há muito que as pessoas estavam a televiver numa bolha tecnológica em função do trabalho e do dinheiro”

  • Cruzeiro Seixas, numa das suas últimas grandes entrevistas: “Fui mais reprimido como homossexual depois do 25 de Abril”

    A Beleza das Pequenas Coisas

    Cruzeiro Seixas, numa das suas últimas grandes entrevistas: “Fui mais reprimido como homossexual depois do 25 de Abril”

    Era o último representante vivo do surrealismo português. Mário Cesariny foi o homem que mais amou: “Ainda me faz muita falta...”. Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas faleceu este domingo, a um mês de completar 100 anos, e por isso o Expresso recupera uma entrevista ao podcast "A Beleza das Pequenas Coisas", realizada em fevereiro de 2017. O pintor e poeta afirmava que só vivera metade do que queria e mantinha a curiosidade pelo amanhã. “Viver é uma loucura espantosa. É a maior loucura.” Sobre o passado, lamentava ter sido mais perseguido após a revolução, “enquanto o Partido Comunista esteve no poder”. A ideia de partir não o assustava. “Não estou preocupado para onde vou. Já andei por céus e infernos cá por este lado.”

  • Mónica Calle: “Houve sempre dois lugares onde sou livre, na relação sexual e no teatro”

    A Beleza das Pequenas Coisas

    Mónica Calle: “Houve sempre dois lugares onde sou livre, na relação sexual e no teatro”

    Há quase 30 anos que a atriz e encenadora Mónica Calle questiona o lugar do seu corpo no palco e procura levar o teatro às zonas marginais da cidade para que elas passem a ser o centro. Começou em 92, no Cais do Sodré, quando era um bairro de má fama, onde fundou a companhia Casa Conveniente. E há seis anos mudou-se para o bairro da Zona J, em Chelas, para criar um diálogo próximo com a comunidade. O ator Bruno Candé, assassinado em Julho por alegadas motivações racistas, fazia parte da sua equipa, era um dos seus. “Recordo o seu talento, a generosidade e gargalhada inconfundível. Uma das melhores pessoas que conheci na vida”. Sobre estes duros tempos afirma: “Através do palco pudemos resistir ao medo. Uma sociedade em que todos temos medo uns dos outros está condenada”

  • Dulce Maria Cardoso: “Não tratamos bem os mais velhos, o que diz muito de nós enquanto sociedade. Somos uns ingratos, ambiciosos e tontos”

    A Beleza das Pequenas Coisas

    Dulce Maria Cardoso: “Não tratamos bem os mais velhos, o que diz muito de nós enquanto sociedade. Somos uns ingratos, ambiciosos e tontos”

    Dois anos depois de “Eliete”, o quinto e mais recente romance de Dulce Maria Cardoso, a escritora fala de como este ‘novo normal’ lhe trocou os planos. Uma conversa que vai do passado ao futuro e a este presente distópico que maltrata especialmente os idosos. “A pandemia mostrou despudoradamente as más condições dos lares, o abandono, a solidão. Quando se perde a empatia pelos outros tornamo-nos impiedosos e a vida torna-se um inferno”. Dulce garante que “Eliete” não vai usar máscara no próximo volume da história, adiado para 2021, e que tudo se esclarecerá quanto à ligação a Salazar. Uma forma que a escritora encontrou para falar dos fascismos. “Estamos muito lentamente a regressar a ideais que já julgava impossíveis. Temos de perceber o sistema imunitário que permite que a ferida aconteça. Há quem diga que o populismo é a ideologia dos que se sentem traídos.” Sobre o mistério da criação na literatura, deixa a pista: “A ficção tem a ver com encontrar a melhor mentira que sirva a verdade”