Quando rebentou a recente polémica em torno do livro de José Rodrigues dos Santos, eu estava a ler um dos melhores romances de sempre sobre a II Guerra, o holocausto fascista e o gulag comunista: "Vida e Destino" (D. Quixote), de Vassili Grossman, um daqueles tijolos russos que não tem os defeitos habituais dos tijolos russos. É gigantesco mas tem a precisão de Tchékhov. Por exemplo, se querem saber com precisão médica e moral o que foi a morte na câmara de gás, leiam só as páginas dedicadas a Sófia Ossipovna, que podem ser lidas como um conto intermédio. Na edição portuguesa da D. Quixote, esta apneia no mal está entre as páginas 545 e 553.
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