Opinião

Aqueles que se proclamam seres humanos

18 Fevereiro 2021 9:55

Comunistas e fascistas odiavam a atitude tchekhoviana: só há o indivíduo, não há o destino coletivo da Raça, do Sangue, da Classe, da Revolução, esses palavrões que nos esmagam com a desumanidade da maiúscula petulante. Mas então porque é que tantos seguiram estes “ismos”? Porque é que tantos, um século depois, ameaçam voltar a esses cultos?

18 Fevereiro 2021 9:55

Quando rebentou a recente polémica em torno do livro de José Rodrigues dos Santos, eu estava a ler um dos melhores romances de sempre sobre a II Guerra, o holocausto fascista e o gulag comunista: "Vida e Destino" (D. Quixote), de Vassili Grossman, um daqueles tijolos russos que não tem os defeitos habituais dos tijolos russos. É gigantesco mas tem a precisão de Tchékhov. Por exemplo, se querem saber com precisão médica e moral o que foi a morte na câmara de gás, leiam só as páginas dedicadas a Sófia Ossipovna, que podem ser lidas como um conto intermédio. Na edição portuguesa da D. Quixote, esta apneia no mal está entre as páginas 545 e 553.