Das coisas assombrosas que tomámos conhecimento é que ficámos sem direito a cheirar o mundo: 2020 poderá ficar conhecido como o ano sem odor. O uso da máscara impede-nos nas cidades de desfrutar o bom e o mau típico das miscelâneas atiradas em golfadas, provocadas por máquinas e odores diversos que iam alternando entre cantos de sereia nebulosos do consumo e chapadões azedos do vomitado de noitadas. Mas também porque a “distancia social” nos criou a ideia de que devemos suster a respiração junto ao outro e nunca cometer o erro eventualmente funesto de o cheirar. Queremos os outros ao longe, de máscara e desinfetados, no máximo que se detete neles uma réstia de álcool hospitalar. Os perfumes enquanto marca identitária, garantida nos anúncios, perderam a razão de existir. No máximo, desejamos que não cometamos o erro de na ida à casa de banho no almoço a máscara não fique com o cheiro das iscas. Algo de que nos iremos arrepender para o resto do dia.
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