Opinião

Fiem-se na China

24 dezembro 2020 9:07

Tik Tok, 5G, computadores quânticos, supersoldados... A realidade não precisa de teorias da conspiração

24 dezembro 2020 9:07

Perez Hilton (não confundir com a loura e gostosa Paris) chegou a ser um fulaninho poderoso. Surgiu na época áurea dos blogues, nos idos de 2010, e chegou a fazer frente a Angelina Jolie e outras estrelas de Hollywood com o boataria e dichotes viperinos por si escritos. Era temido. Ele próprio se tornou uma personalidade, vítima de escandaleira, mas seguiu sendo a cruela gay que todos temiam. E chegámos ao agora. Hilton, filho de cubanos e nascido Mario Armando, tinha feito a transição para as várias redes sociais mantendo o sucesso, mas esbarrou no Tik Tok – a rede social de jovens e vídeos curtos e estrelas desconhecidas. Acabou banido sem ter feito nada de infame. Garantiu num vídeo choroso, que se tinha moderado porque sabia que hoje as suscetibilidades eram diferentes. Hilton, à falta de festas para comentar em Hollywood, decidiu analisar as estrelas do Tik Tok, como Charli D’Amelio, uma miúda dos subúrbios de Connecticut que faz vídeos de segundos, a dançar ou a fazer caretas e tem 103 milhões de seguidores. Terá dito que não achava normal que uma miúda de 15 anos se expusesse com tão pouca roupa. Ora o que se decidiu é que quem estava a mais no Tik Tok era um quarentão a fazer este tipo de comentário. “Ele não pertence aqui, que vá para o Facebook.” Charli, a ditadorazinha, atirou a ira dos seus seguidores contra o velhadas Perez em histeria. As denúncias da conta deste foram tantas que o Tik Tok o baniu em definitivo. Assustador. Aquela rede é só deles, de milhões de adolescentes e da sua moral. Assente numa aplicação chinesa. Que sobreviveu nos EUA ao Trump que a queria em mãos americanas e nos últimos meses teve mais adesões do que a afamada Zoom. Isto é um bom arranque para quem queira ligar pontos e fazer uma teoria da conspiração. Os chineses têm na sua posse dados de centenas de milhões de adolescentes. Bravo.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.