Opinião

Se a maioria não sabe, só a ignorância é democrática

21.05.2020 às 9h05

Pode ser mais exuberante no Brasil, mas assistimos ao triunfo dos imbecis em todo o mundo. E o seu argumento é popular: se a maioria não sabe, só a ignorância é democrática. Esta ideia, filha inevitável do anti-intelectualismo, não medrou apenas na extrema-direita. Domina o debate público e político

O governo de Bolsonaro transfornou-se numa porta giratória de ministros. No momento em que se esperava para saber se havia novo ministro da Saúde a secretária especial para a Cultura, a inenarrável Regina Duarte, saiu do Governo onde chegou há apenas dois meses. Mas, por razões óbvias, o reboliço na pasta da Saúde é o que deixa todos os observadores estupefactos. Primeiro foi Luiz Henrique Mandetta, um ministro que parecia bom só por ser banal. Acabou demitido por Jair Bolsonaro por tentar fazer o que quase todos os ministros da Saúde do mundo fizeram: medidas de confinamento contra aquilo a que o Presidente chamou “resfriadinho”.