Internacional

China mata a regra “um país, dois sistemas” que devia vigorar em Hong Kong até 2047

22.05.2020 às 14h26

Quando pouco falta para passar um ano sobre os protestos pró-democracia que incendiaram Hong Kong, Pequim decide acabar com “a cidade dos protestos”. Para tal, impõe a força de uma lei com argumento de segurança. É o fim anunciado do estatuto especial do território

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Deputado dos pan-democratas Lam Cheuk-tin é detido esta sexta-feira pela segurança no Conselho Legislativo de Hong Kong

JEROME FAVRE/EPA

Pequim quer ver aprovada uma lei destinada a proibir a “traição, a secessão, a insubordinação e a subversão” em Hong Kong. A ser adotada, a proposta vai acabar com a vida na cidade tal como a conhecemos. A medida avança em vésperas de passar um ano sobre o início dos protestos que levaram milhares de pessoas à rua e a uma escalada de violência cujo saldo e verdadeiras responsabilidades estão ainda por apurar.

Os críticos denunciam a China por quebrar a promessa de deixar Hong Kong manter o seu estatuto especial, que permite aos seus cidadãos gozarem de liberdades inéditas no resto do território. Tal ficou estipulado no acordo pelo qual o Reino Unido devolveu a colónia à China, a 1 de julho de 1997, passando Hong Kong a ser uma região autónoma especial, como Macau seria a partir de 1999.