O comentador político Marques Mendes disse este domingo na SIC que um acordo entre o governo português e os acionistas privados da TAP, David Neeleman e Humberto Pedrosa, está iminente.
"O mais provável é haver um acordo", afirmou, garantindo que este domingo à noite estavam a decorrer negociações. "O impasse está ser ultrapassado".
Em causa está a aceitação por parte dos acionistas privados das condições impostas pelo governo para avançar com o empréstimo de até 1,2 mil milhões de euros. David Neeleman tem apresentado resistências a aceitar essas condições, conforme noticiou o Expresso este fim-de-semana. Em cima da mesa está a exigência do governo de que a Azul, empresa da qual o norte-americano Neeleman é acionista, converta o empréstimo de 90 milhões de euros à TAP em capital. Mas também - e sobretudo - a exigência de que os privados deixem cair uma cláusula que lhes permite retirar 227 milhões de euros que emprestaram à empresa no caso de o Estado reforçar o seu capital na TAP - algo que é provável atendendo a que parte do empréstimo de 1,2 mil milhões de euros deverá ser transformado em capital.
Marques Mendes diz que é urgente um acordo do Estado, que tem 50% do capital, com os privados, que têm 45% porque "sem uma injeção de capital, a TAP não tem dinheiro para pagar salários em Julho".
Acrescentou também que "na sexta-feira, houve uma reunião decisiva ao mais alto nível com o primeiro-ministro, o ministro das Finanças, o ministro das Infraestruturas e o secretário de Estado do Tesouro".
"Ou há um acordo ou há nacionalização da TAP. Não há terceira via", adiantou, mostrando-se convicto de que será alcançado esse acordo nas próximas horas ou dias e que o Estado não vai recuar nas condições que impôs.