Economia

Consumidores portugueses são os mais pessimistas da União Europeia

09.05.2020 às 10h55

Tiago Miranda

Dados da Comissão Europeia revelam que ninguém está tão preocupado com o futuro da economia e a escalada do desemprego

Os portugueses tornaram-se nos consumidores mais pessimistas de toda a União Europeia (UE). É o que revelam os resultados dos inquéritos de conjuntura do mês de abril agora compilados pela Comissão Europeia.

A única dúvida é se os italianos não estarão ainda mais preocupados do que os portugueses, já que as rigorosas medidas de confinamento impostas naquele país até impediram que se medisse a sua confiança no último mês.

Em abril, as famílias portuguesas revelaram-se as mais pessimistas entre as 26 nacionalidades inquiridas nesta sondagem mensal. Um mês antes, os portugueses ainda surgiam em sétimo entre os 27 Estados-membros, revelando-se então menos preocupados do que os consumidores búlgaros, cipriotas, italianos, gregos, eslovenos e belgas.

Note-se que estes inquéritos de conjuntura costumam ser importantes para detetar momentos de viragem no ciclo económico, em particular da abrupta queda das expectativas provocada pela pandemia da covid-19. Este indicador de confiança, em particular, pode mesmo funcionar como indicador avançado do consumo privado.

Ora, no atual ranking europeu, os consumidores portugueses surgem agora como os mais pessimistas quanto à evolução da situação económica do seu país nos próximos 12 meses. Um tema que também inquieta bastante húngaros, holandeses, eslovenos ou polacos.

Os consumidores portugueses são também os mais preocupados com a evolução do desemprego nos próximos 12 meses, à frente de húngaros, polacos, búlgaros e gregos.

Neste contexto, não admira que as famílias portuguesas encabecem a lista das que mais estão a cortar em grandes compras já no momento presente. Quanto ao futuro, só cipriotas e gregos tencionam realizar menos compras importantes do que os portugueses nos próximos 12 meses.

Só os gregos pretendem comprar menos casas do que os portugueses no próximo ano. E quanto à intenção de comprar carro nos próximos 12 meses, os portugueses também estão no fim da tabela, só à frente de gregos e malteses.
Resta saber se este ‘apertar do cinto’ das famílias portuguesas desanuviará perante o progressivo desconfinamento previsto para este mês de maio. O Instituto Nacional de Estatística divulgará os resultados do próximo inquérito de conjuntura aos consumidores a 28 de maio.