É do medo que se trata. Ou é o medo o principal inimigo a abater, para prosseguir a luta daqueles que querem mudar a Rússia e tirar Putin do poder. E porque na guerra de pouco vale a força do arremesso, se o arremesso não for feito no momento certo, Navalny escolheu lançar o vídeo que está a inflamar o espírito dos russos e a levá-los a protestar na rua com os pés assentes em território russo e de novo atrás das grades.
Podia tê-lo feito a partir da Alemanha, país no qual passou os últimos cinco meses a recuperar do envenenamento por novichok, de que foi vítima em agosto passado. Mas fazê-lo a coberto de um “exílio”, ainda que temporário, não lhe daria a relevância política e o poder que alcançou nestas últimas duas semanas. Ao demonstrar que não tem medo de desafiar Putin, colocando a sua vida e integridade física em risco, Navalny fez com que muitos russos perdessem o medo e viessem para a rua protestar e gritar: “Putin é um ladrão!” Neste momento, para muitos russos, não é da libertação de Navalny que se trata. É o futuro da Rússia que está em causa. Navalny conseguiu capitalizar em seu torno um profundo descontentamento face aos que controlam o aparelho do Estado.
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