Coronavírus

Um país em carne viva: o dilema dos médicos na hora de decidir quem vive e quem morre

6 Fevereiro 2021 21:31

Christiana Martins

Christiana Martins

texto

Jornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

fotos

Fotojornalista

Rui Duarte Silva

Não há camas de cuidados intensivos, não há médicos nem enfermeiros. Mas sobram doentes e muita doença. Como se escolhe quem vive e quem morre? Morremos todos

6 Fevereiro 2021 21:31

Christiana Martins

Christiana Martins

texto

Jornalista

Tiago Miranda

Tiago Miranda

fotos

Fotojornalista

Desbridar. “Procedimento realizado para remover o tecido necrosado, morto e infetado das feridas, melhorando a cicatrização e evitando que a infeção se espalhe para outros locais do corpo.” Se pensarmos em Portugal como um corpo ferido, semidestruído por um vírus, não é difícil perceber que já é necessário fazer escolhas sobre como sobreviver. E se para sobreviver é preciso escolher, quem fica e quem sai? Os médicos das unidades de cuidados intensivos insistem que ainda não deixaram ninguém para trás. Não?

“Há priorização de doentes como sempre houve, mas até à data não podemos dizer que houve limitação de acesso a doentes com benefício de admissão às unidades de cuidados intensivos. Quando chegarmos aí — e chegaremos —, viveremos uma situação intolerável para a população e para os profissionais de saúde, que terão de tomar opções com que dificilmente viverão para o resto das suas vidas.” A constatação crua é feita por João João Mendes, médico intensivista do Hospital Doutor Fernando Fonseca.