Covid-19. OMS admite que temos de nos preparar para uma segunda vaga depois de ter dito que era muito improvável que ela acontecesse
25.05.2020 às 20h44
Hora de ponta em Hanói, no Vietname, após o Governo decretar medidas de desconfinamento
KHAM/REUTERS
O diretor-executivo do programa de Emergências Sanitárias da organização alertou que "não podemos supor [que os números de novas infeções] vão continuar a descer e que teremos alguns meses para nos preparar para uma segunda vaga". Horas antes, a diretora do Departamento de Saúde Pública da OMS afirmara que é "cada vez mais" improvável uma segunda grande vaga do novo coronavírus, mas aconselhou muita prudência
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou esta segunda-feira que a pandemia da covid-19 não vai dar descanso mesmo nos países onde o contágio foi contido e que uma possível "segunda vaga" de contágio não tem data marcada.
Na habitual conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia, o diretor-executivo do programa de Emergências Sanitárias da organização, Michael Ryan, afirmou que é preciso "estar ciente de que a doença pode disparar a qualquer altura". "Não podemos supor [que os números de novas infeções] vão continuar a descer e que teremos alguns meses para nos preparar para uma segunda vaga. Pode acontecer um segundo pico, como aconteceu noutras pandemias, como na da gripe pneumónica", afirmou.
A principal responsável técnica no combate à covid-19, Maria Van Kerkhove, salientou que os estudos de seroprevalência já efetuados são poucos – só dois publicados e cerca de 20 em pré-publicação mostram que "uma grande parte da população continua suscetível" ao novo coronavírus. "Se encontrar uma oportunidade, este vírus provocará surtos. Uma característica única deste coronavírus é a capacidade de se amplificar em certos ambientes fechados, com uma super-propagação, como temos visto em lares de idosos ou hospitais", acrescentou.
Horas antes, a diretora do Departamento de Saúde Pública da OMS, María Neira, afirmou que é "cada vez mais" improvável uma segunda grande vaga do novo coronavírus, mas aconselhou muita prudência. Em entrevista à rádio catalã RAC1, Maria Neira indicou que os modelos de previsão com que a OMS trabalha "avançam muitas possibilidades, desde novos surtos pontuais a uma nova vaga importante, mas esta última possibilidade é cada vez mais de descartar".