Covid-19. Como o distanciamento social pode mudar a nossa perceção de espaço
19.04.2020 às 12h24
O distanciamento social é uma forma eficaz de evitar a propagação do vírus, sobretudo nos locais com mais gente por metro quadrado. E poderá ter chegado para ficar
A mulher, na casa dos 60 anos, olha para o casal de namorados com desagrado. É véspera da primeira Sexta-Feira Santa em estado de emergência e está na fila para entrar num supermercado do centro de Lisboa. Ora olha para os jovens aos beijos, ora analisa a calçada à sua frente, ora se vira para trás. A coreografia repete-se durante vários minutos: a senhora não está chocada com a falta de pudor que presencia nem impaciente por ainda ter de percorrer uma fila de 100 metros antes de poder fazer as compras da Páscoa.
Está apenas a medir o espaço à sua volta, ameaçada pelos passos oscilantes do casal ao ritmo do amor. Sempre que dão um passo atrás, a senhora tem a tentação de se afastar, mas sabe que atrás de si está outro cliente, para o qual tem de manter a distância necessária. Sente-se encurralada: não pelo tempo perdido, mas pela falta de segurança.
As filas de espera deixaram de ser um teste à paciência para se tornarem um garante ordenado da preservação da saúde. Para evitar o contágio e a propagação da covid-19, a Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda uma distância mínima de dois metros entre cidadãos.
Recentemente, o MRC Centre for Global Infectious Disease Analysis, parte do Imperial College of London, analisou o progresso da pandemia em vários países europeus e concluiu que o número de infeções secundárias causadas por uma primeira infeção diminui assim que são aplicadas medidas de distanciamento social.
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